Ex-diretor da Fazenda de SP foi preso com arma e munições em condomínio no interior de SP
03/09/2026
(Foto: Reprodução) Ex-dirigente da Fazenda é preso em Piracicaba por esquema com créditos de ICMS
O ex-diretor-geral da Secretaria Estadual da Fazenda, André Weiss, foi preso na manhã desta quinta-feira (3), em Piracicaba (SP).
A prisão ocorreu em um condomínio e é resultado de uma megaoperação realizada pelo Ministério Público estadual, que investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e a devolução de créditos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na Secretaria da Fazenda (saiba mais abaixo).
Segundo o policiais do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (10º BAEP), que deram apoio à operação do MP, Weiss foi encaminhado ao 1° Distrito Policial de Piracicaba, juntamente com uma arma de fogo, 65 munições e três carregadores encontrados com ele.
Weiss ocupou um cargo de alta cúpula na secretaria até maio deste ano.
Clique para o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp
Ainda em Piracicaba, além da prisão de Weiss, houve o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão domiciliar.
Segundo o BAEP, ao todo, a operação local resultou na apreensão de três armas de fogo; 80 munições e três carregadores. Houve também a apreensão de R$ 385 mil em espécie, 1.400 euros e 862 dólares, além de captura de notebooks, tablet, celulares, pen drives, caderno de contabilidade e documentos relacionados à investigação.
André Weiss era ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP)
Reprodução/TV Globo
Ao todo, a Justiça emitiu 47 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, cumpridos na capital paulista, na Grande São Paulo, no interior e no Mato Grosso do Sul.
O segundo alvo de prisão é apontado como o líder do esquema na iniciativa privada. Além disso, seis agentes públicos foram afastados, tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de sair do país.
Entenda o esquema
A investigação, baseada em delação premiada, gravações, quebra de sigilos bancários e dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou que o grupo era dividido em dois núcleos:
Iniciativa privada: buscava grandes empresas contribuintes para negociar facilidades na liberação dos créditos do ICMS.
Agentes públicos: recebiam parte do dinheiro arrecadado como propina para dar um jeito de acelerar a liberação dos valores da restituição do ICMS no órgão estadual.
O Ministério Público aponta que a propina cobrada chegava a 10% do valor do crédito de ICMS a ser pago às empresas. Para dimensionar o tamanho do esquema, um dos investigados confessou ter recebido mais de R$ 13,6 milhões em propina nos últimos quatro anos.
Polícia em Piracicaba durante megaoperação do MP sobre esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Secretaria da Fazenda de SP
10º Baep
O que diz a Secretaria da Fazenda
Em nota, a Secretaria Estadual da Fazenda afirmou que colabora com as investigações desde uma operação realizada no ano passado sobre o mesmo assunto. Segundo a pasta, as ações resultaram na demissão de cinco pessoas envolvidas, uma exoneração e o afastamento de 17 servidores públicos sem o pagamento de salários.
A secretaria destacou ainda que as empresas envolvidas no esquema estão sendo responsabilizadas. Esse processo de responsabilização já gerou a cobrança de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.
Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba