Conselho estadual analisa tombamento da Fábrica Boyes, em Piracicaba; movimento faz alerta
14/09/2026
(Foto: Reprodução) Prédios da antiga Fábrica Boyes em Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do estado de São Paulo vota, na manhã desta segunda-feira (14), o projeto de tombamento do Conjunto Beira Rio de Piracicaba (SP).
A reunião está prevista para começar às 9h30, em São Paulo (SP). Segundo o Condephaat, há um parecer técnico favorável ao tombamento do conjunto Fabril Boyes que será votado nesta reunião.
Para que a fábrica seja efetivamente protegida também em nível estadual, a análise tem que ter dois terços de votos favoráveis entre os conselheiros.
A votação desta segunda-feira não é a primeira envolvendo a Fábrica Boyes. O Condephaat informou que houve uma reunião em 17 de agosto em que foi pedido vistas do processo de tombamento. Isso ocorreu para que houvesse mais tempo para analisar o projeto.
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Segundo o movimento 'Salve a Boyes', que solicitou ao órgão os tombamentos da fábrica, do Palacete 'Luiz de Queiroz', do Museu da Água e da Praça Ermelinda de Queiroz, o pedido de vistas ocorreu por parte de uma conselheira para que o Conselho pudesse analisar os itens que ficaram fora da proposta de tombamento, como:
Canal de águas: segundo o movimento, o canal que passa dentro da fábrica foi excluído da proteção sob a alegação de que não é um elemento marcante da paisagem; historicamente, o canal foi construído para levar água (força motriz) para a pequena usina hidrelétrica instalada ali para abastecer a fábrica de tecidos, ruas e o Palacete do dono e pioneiro Luiz de Queiroz.
Edifício 8 (onde está escrito ‘BOYES’): teve sua proteção excluída sob a justificativa de que não possui valor histórico, o que abre a possibilidade para sua demolição, afirmou o movimento ao citar o parecer do Condephaat;
Falta de um gabarito de altura: a regulamentação do limite de altura e volume para construções nas áreas tombadas e na área envoltória ficou de fora das regras do órgão estipuladas pelo Condephaat, tendo a responsabilidade dessa definição sido delegada ao Município.
Canal dentro da Fábrica Boyes e que deságua no Rio Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
Segundo o movimento, a definição de um gabarito de altura para novas edificações é fundamental para preservar a paisagem e manter a relação visual entre os bens históricos do conjunto, além de promover segurança jurídica.
Com um gabarito de altura de 15 metros, por exemplo, nenhuma nova edificação no local poderia passar dessa altura limite.
"Incompreensível e causa perplexidade essa ausência de definição, pois o Condephaat define o gabarito na grande maioria de suas resoluções de tombamento e redefinição de área envoltória. Só em 2025, foram definidos gabaritos de altura em São Paulo, de Araras, São Sebastião, Mogi das Cruzes", escreve em nota.
O g1 questionou o Condephaat sobre os motivos que levaram ao órgão não proteger os itens acima, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem.
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Canal de água dentro da antiga Fábrica Boyes em Piracicaba
Yasmin Moscoski/g1
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