A mesa que derruba muros!
- 29/04/2026

A comida do Egito e de Roma, nos tempos bíblicos, são distintas da comida da Páscoa. No Egito predominava a cultura da opressão, punição, do chicote e da morte, e a comida era obtida por sacrifício penoso. Em Roma se impunha a cultura do domínio, da divisão, da perseguição, do pão e circo, e a comida era marcada por divisão social.
Já a comida da Páscoa convida para a mesa da celebração da libertação. Na Páscoa antes de Cristo, o convite à mesa era para celebrar a libertação do Egito. A partir de Cristo, a celebração se concentra no sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo (Santa Ceia).
A mesa da Páscoa do Cristo ressurreto convida para a comunhão: "venha, tome, coma e beba". Inclui a todos, sem distinções étnicas, sociais e de gênero. Todos somos um, sem bolhas, sem hierarquias.
Não é um movimento racional e pragmático resolutivo de uma causalidade ou de uma ameaça ou do "certo e errado", que nos manterá unidos. É um evento de pura Graça, que nos é dado sem que nossas intencionalidades objetivas possam controlar ou merecer. Não é da ordem do mirar, mas do escutar. Não é do ver para crer, do evidenciar para aceitar, do selecionar para incluir, do argumentar para vencer, do justificar para perdoar. É do entregar-se para escutar a voz que direciona a caminhada e nos mantém no mesmo rebanho, o do Bom Pastor. Ali se faz a unidade e a possibilidade para a comunhão.
A comida do Egito e de Roma nutre soldados que dominam e segregam, mas a nutrição da comida da Páscoa nutre membros pertencentes a um mesmo Corpo, uns dos outros. Nossa forma de conviver com os irmãos mostra a comida que nos alimenta, se do Egito, de Roma ou da Páscoa.
O que nos une não é a "comida do Egito" (opressão/morte), nem a "comida de Roma" (domínio/divisão), mas é a "comida da Páscoa" (unidade/comunhão). Essa mesa que derruba muros e nos devolve uns para os outros.
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Texto de Carlos José Hernández - psiquiatra argentino, doutor em medicina – e Clarice Ebert – psicóloga (CRP08-14-038) e terapeuta familiar e de casais, mestre em teologia
Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.
* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: O tempo que não se mede
FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/clarice-ebert/mesa-que-derruba-muros.html


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